segunda-feira, 4 de julho de 2011

sábado, 25 de junho de 2011

domingo, 19 de junho de 2011

Vê se passa por aqui

Já são tantos anos longe, nem parece que chegaria a tudo isso. Ouvindo tua voz, te imagino como quando passávamos um certo tempo juntos. Ela não mudou muito, na verdade, quase nada, mas é que você não deve ser a mesma pessoa. Alguns anos se passaram e muita coisa mudou. Teu cabelo deve estar bem diferente, na verdade, está, mas finjo não saber, para cultivar a lembrança que tenho de você. Como o tempo passou... Fomos cada um para um canto e vivemos. Apenas seguimos um caminho. Mas mesmo depois de todos esses anos, ainda existem coisas que nos ligam de uma forma indescritível. Nem me arrisco mais a adjetivar ou rotular, só sei que quando você me liga, a cada dois meses, mais ou menos, abro um sorriso. Hoje mesmo você me pegou dormindo, mas logo abri os olhos e limpei os ouvidos para te ouvir falar. A vida por aí parece tão diferente, na verdade, ela é, mas finjo não saber, para tentar te trazer mais pra cá. Pro meu lado. Sei lá como é o ar que você respira e quais são as pequenas coisas que te fazem dormir tranquila, mas não deve ser muito diferente de mim. Nós temos uma ligação, sabe? Já brincamos, brigamos, você me xingou, eu te admirei... Confesso que algumas vezes te odiei por quase um segundo, mas não tem jeito, depois te amei mais ainda. Quero te ver em breve, algo como um sábado à tarde, que tal? Pode ser o da semana que vem? Ótimo, já arrumei a casa para te receber. Pega logo esse avião, você tem razão de correr assim desse frio, o tempo aqui é mais ameno. Mas não sei, faz um bom tempo que o frio predomina por aqui, nada de muito extremo, mas o suficiente para deixar o nariz gelado. Mas, claro, comparado à sua terra, é quase um belo verão. Te prometi que não ficaríamos tanto tempo sem contato, mas admito que falhei. Me desculpa, minha cabeça anda cheia de coisas e devaneios e hipóteses e loucuras e confusões. Nem sei mais pra onde correr, todos os lados parecem tristes na mesma proporção. Mas tudo bem, acho que o pior já está passando, logo volto ao normal. Me promete uma coisa? Que você nunca vai desistir daqui? Eu sei que nada te faria voltar em definitivo, mas ainda espero uma visita. Nem me lembro mais do que você gosta de comer e beber, então não se assuste se eu te recepcionar com algo que você não goste. Deixa assim, talvez eu possa te abraçar de novo e te contar como anda meu coração. Você faz falta, vê se não demora pra chegar. Daqui, te espero. Um beijo pra ti.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Fruta que cai no jardim

Não sei se já chegou a hora, se já posso partir. Quero me partir em todos os pedaços possíveis para poder estar por aí. Na verdade, não estou nem aí pra isso tudo que está por vir. Quero sair, sair e sair. Fugir.Isso, fugir como um covarde sem pestanejar. Não quero enfrentar todas essas batalhas que aparecem. Quero ser livre para escolher pelo que lutar. Quero amar uma flor qualquer apenas pela sua cor, o cheiro eu deixo para qualquer outro que quiser. Não me importo mais em dividir. Digo isso porque me encanto pelo céu também. Ele é tão pleno e generoso, se estica todo para alcançar uma parte, por menor que seja, de todo mundo. O geral me encanta. Gosto também dessa terra toda que cai nos nossos olhos enquanto brincamos no chão, ali perto do lago. E também da grama que faz cócegas nos nossos ouvidos enquanto esperamos o pôr-do-sol para abrir os olhos. Ah, não posso me esquecer das árvores que usamos para apoiar as costas nos dias de sol intenso. Esses são os melhores dias. Ouvimos um pássaro cantar aqui, um cachorro latir ali e um silêncio puramente sereno que nos força a ficar quietos. Não há voz mais bonita do que a sua quando você olha para dentro de si. É tão bonita a introspecção que flui quando te vejo sorrir. Você deveria olhar mais pra dentro, me esquecer mesmo. Talvez assim você conseguisse entender qual é a razão na alegria de uma gota de chuva ao beijar o chão.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Parênteses

Gosto de você. E também sinto a reciprocidade. É só isso que não me deixa desistir.

terça-feira, 24 de maio de 2011

A urgência

A urgência e a pressa da cidade grande nos faz pensar em quais realmente são nossas necessidades. Passamos o dia numa agitação sem tamanho, correndo todo o tempo em busca de uma resposta concreta. Já não aceitamos mais a subjetividade como ponto final. Ou inicial, quem sabe. Somos guiados pela certeza, e a buscamos em tudo que fazemos ou pensamos. Na verdade, parece que tememos tudo aquilo que não se apresenta de forma clara e óbvia, pois é muito difícil não sabermos o que pode acontecer e o que está por vir.

Talvez precisemos de mais calma e serenidade, de mais paz. Talvez precisemos de um lugar que nos dê tempo para pensar, que nos dê vida para admirar. Um lugar que não nos sufoque. Nossa realidade é completamente desfigurada e intolerante. E cada um de nós padece aqui sem perceber tudo de belo que a vida nos leva. "Minha vida é intensa", dizem muito isso por aí. Mas não sei, acho que o conceito de intensidade não tem esse significado. Aquilo que é intenso nos faz viver. Não tenho certeza se posso chamar tudo isso a nossa volta de vida. De vida bem vivida.

sábado, 21 de maio de 2011

O que te trouxe até aqui?

Agora vai ser assim. É tão simples, meu bem. Você vai sair de lá e trazer suas coisas pra cá. Depois, nunca mais vai responder. Eu sei que parece um pouco drástico, mas vai ser melhor para você. Pode ser que a primeira impressão traga lembranças ruins, mas faz parte, o tempo é assim. Você vai se acostumar, não se preocupe. A sua nova vida vai se adaptar à você. Simples questão de tempo.

Às vezes falo muito rápido, mas eu sei que você nem se assusta mais. Certo dia, acordei feliz numa manhã qualquer. Nem lembro se tinha sonhado com você, mas só de haver essa possibilidade, já me contentava com o talvez. Sinto que me perco sempre que olho nos olhos teus, porque sei lá, é tão intenso que não quero mais me encontrar.

A sua nova casa está aqui, pronta para as suas roupas. Talvez o armário não seja grande o suficiente, mas a gente dá um jeito. Podemos guardar o que sobrar nos armários da cozinha. Sabe como é, né? O dinheiro é apertado e a comida não se faz tão presente. Mas de qualquer forma, sinta-se em casa. Pode até me botar pra fora, caso ache melhor. Não quero invadir a sua privacidade.

Noite sim, noite não, vamos nos entendendo. A novidade já passou. Aliás, você está linda com esses cabelos sob os ombros. Mais um pouco e eles cobririam teus seios, que você insiste em deixar expostos. De vez em sempre me flagro admirando essa luz que sai dos teus olhos e escorre por todo o corpo. Você nem precisa mais de roupas, tua luz já ocupa esse espaço.

Venha, vou te levar ao mercado. Lá podemos escolher algumas coisas que não comemos há muito tempo. O dinheiro está aumentando, e com isso, nossas barrigas também. Mas não tem jeito, você fica sempre bonita de qualquer jeito. Se a barriga cresce um pouco, sua natureza vem e trata de colocar tudo em ordem outra vez. Sua natureza é um ciclo, fica noite e dia se exibindo.

Me lembro quando tentei te fazer entender à força o que deveria viver. Como fui tolo, meu Deus. Você ria quando eu dizia tantas bobagens. Claro, eu entendia tudo sempre errado. Não percebia que a vida trataria de trazer você até aqui. Porque eu sei que você nunca esqueceu aquele dia em que nos abraçamos de verdade. Foi tão forte aquele abraço, que deixamos um pedaço de nós em cada um. E foi isso que te trouxe até aqui. Justamente esses pedaços teus em mim e meus em ti. Acho que foi amor.