domingo, 4 de julho de 2010

Passo tímido

Todos os dias reza o mesmo terço
Levanta os braços na altura do céu
Abaixa a cabeça mirando a vergonha
Revela um olhar já conhecido por todos

Se esconde atrás da profunda miragem
Suas orelhas pesam fartas de cansaço
Estão cansadas de tanta insegurança
Os mesmos todos que a fitam
Se acabam por consumi-la em patifaria

Mesmo depois de longos e tenebrosos sinos
Que badalam gritando feito um cigano
Se sente triste pela vida
Não admite o fato de ser um sorriso no meio de bochichos
Para ela, o sol não nasceu nas colinas
Ele apenas se furtou de proclamar a vida que ela queria

Como se não bastasse a chuva que perdura por tantos anos
Uma parte do seu sangue se mistura com a pele
Já não há diferença entre uma lágrima e um suspiro
A sua razão em buscar os sonhos mais lindos
Se dissolve lentamente ao pé do ouvido

terça-feira, 25 de maio de 2010

Muito mais do que alguns anos de solidão

No auge de toda sua clareza
Descendo em meio às nuvens da tormenta
Um pequeno rosto se alça na inocência
Nos faz esquecer dos medos gravados nas etiquetas

Com o poder da dúvida pairando em seu olhar
O certo se torna inescrupuloso, arde em fogo
E o que era errado se perde nos atalhos, abençoa o amor sistematizado

A cidade fecha os olhos e absorve
Fita o alto da colina
Não permite que sua memória seja esquecida

De arcos longos e calmos, se revela suave ao balançar
Reproduz aquele incômodo ruído
Instiga o vento a subir aflito

Sua expressão nos apresentava uma sensação
Viviamos numa espécie de tortura sem razão
Não aceitávamos viver em outro mundo
Um novo lugar em que não éramos amigos ou amores
Em que toda a noção do coração corria para o chão
Onde os valores estavam abaixo do perdão

Já agiamos sem a paixão
Nossas mãos fugiam sem percepção
A falta de consciência sufocava nossa voz
Os gritos, um dia ricos, hoje estavam sem brilho

Tudo isso começou sem haver um desapego
Nossos olhos arregalados, turbulentos
Não conseguiam se fechar com os desejos
Aquela angústia de chegar ao fim
Agora dava lugar àquela tortura sem fim

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O que é a felicidade? - Parte III: Igualdade

Dormia no colo do infinito
Suspirava feito um menino
Sorria mais que um passarinho
Descansava os olhos à beira do abismo

Quando acordou, sonhou
Assim que correu, gritou
Viajou...

Bonita esperança que o alcançava
Sem perceber, chorava
Lamentava pela sorte acabada
Se voltava para outra estrada

Logo que o amor surgiu, fugiu
Sem entender o que a vida lhe trazia, mentiu
Mas voando em notas musicais
Voltou atrás e amou

Daquele olhar em diante, se redimiu
Não buscou mais o que mentiu
Se tornou cada vez mais feliz

Sua vida estava igual
Não sei ao que, mas se mantinha diferente
As duas margens do rio se encontravam ao fim do dia
E como inocentes amantes, se escondiam
Não buscavam o explícito
Queriam ser corridos

E apesar de tantos anos em esconderijos
Você foi mais forte, mais decidido
Acordando nas manhãs frias e esquecidas
Lutou bravamente todos os dias
E como num par de rimas
Flutuou nos sonhos de sua menina

terça-feira, 27 de abril de 2010

O que é a felicidade? - Parte II: Respeito

Pássaros nadando em riachos
Cães voando no espaço
Peixes correndo com laços
Flores desabrochando com ácidos
Nuvens contendo as lágrimas
Sois se lançando em águas
Amores rasgando as cartas
Dias dormindo as mágoas
Noites acordando fartas

Não se deixe enganar pelas fábulas
Suas orações são levadas ao nada

A beleza que é cobrada nunca será apresentada
O amor que é pensado jamais será formado
A primavera trará o canto aos nossos lábios

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O que é a felicidade? - Parte I: Amor

Debruçado em pequenas pedras no campo
Seus suspiros atravessam a brisa em frente as plantas
Nossos pequenos olhos travam abaixo das frestas
Minha boca toca a terra misturada com a grama

O vento que nos toca é simples
O desejo que te move é a dúvida
A carícia que nos acalma é a vida
Tudo que é bonito não custa muito

Espero a chuva acima das nuvens
Cada gota d'água que cai em nós limpa as mentiras
Uma nova pedra sai do meu caminho
Um novo rio me leva ao fascínio

Suas vidas te encontram nas constantes lamúrias
Nossos gritos são tiros de hombridade
Meu perigo é lembrar do ridículo
O que se aproxima de você é a alegria
Os nossos filhos viajando debruçados pelos dias

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Sim, eu sei...

Sim, eu sei que todos os seus desejos são meus
Que a única coisa que eu quero de você é alegria
Que você seja sempre feliz
Tomara que a vida seja generosa e te faça sorrir todos os dias

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Quanto tempo o tempo tem?

Quanta falta de tempo! Quando tinha tempo, não aproveitava, agora que não tenho, sinto falta. O mês mais interessante está longe ainda, mas quando chegar, terei mais tempo para viver. Viver é sinônimo de estudar, aprender. É tão bom pensar que vou ter um tempinho a mais pra fazer isso, sem provas e trabalhos da faculdade. Enquanto esse mês não chega, vou levando a vida somente com tempo para dormir cinco ou seis horas por dia e cuidando de porcos.

Pesquisando novos temas, descobri tanta coisa interessante pra estudar, tanta coisa enriquecedora! Não vejo a hora de chegar o meu mês pra colocar tudo isso em prática. Enfim, por aqui as coisas continuam como sempre. Sem nada nem menos. Sem direita nem esquerda. Não para mim, mas para alguns. Quanto extremismo, que ao final da roda, se vira para o lado contrário, não?

Muitas vozes, muitos sorrisos, muitos ombros... Mas nada de amor! Vamos amar um pouco mais, gente. O amor está em falta nesses tempos. Aliás, outro dia me perguntaram: "O que te faz feliz?". Em meio a respostas do tipo: "Dinheiro e sexo" ou "Banho quente e cama", pensei um pouco, mas não muito, e respondi: "Amor, respeito e igualdade".

Me chamam de mentiroso e falso por dizer isso, mas não sei explicar, é só um sentimento, uma vontade. E por falar em revolta, uns tempos atrás quase me condenaram à forca quando eu disse que não queria enriquecer. Será tão estranho assim não querer ter mais do que os outros? Será tão estranho assim não querer ter menos do que os outros? Ou ainda, será tão estranho assim querer ser a igual a todos? Mas não confundam igualdade com falta de personalidade. Cada um pode e deve ter sua própria personalidade, mas para isso, não ser mais nem menos do que ninguém.

Nossa, fazia tempo que eu não postava aqui no blog, né? Ando sem tempo mesmo! Mas prometo à mim mesmo que postarei com mais freqüencia. Devo isso pra mim mesmo. E pra vocês também, meia dúzia de amigos que dedicam um pouquinho do seu tempo lendo meus escritos.