sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Som da vida

Tudo isso me faz pensar na vida, em como ela pode ser bonita, vivida... Sabe, todos os dias o mesmo sol nasce acima das nossas cabeças e nos traz a luz da esperança para seguir vivendo sem desanimar. Bom, muitas vezes confundimos sensações, sentimentos, pensamos que aquilo é real e sincero, mas essa é apenas a nossa própria verdade. Sincero nunca deixa de ser, mas em outro nível ou mérito. Como fazer para saber se isso que consome sua pele em insistente ardência é verdade? Uma saída é ser simples e direto: perguntar. Mas claro, nada é tão fácil assim... Você até passaria por ridículo se a resposta não fosse aquela que você esperava. Então, no que pensar? A realidade é que pensar e imaginar é a maior arma que temos, pois podemos ser quem nós quisermos e também podemos chegar a qualquer lugar, sem ter que abrir os olhos.

sábado, 14 de agosto de 2010

Luz na sua janela

Já quase morria o dia, tímido por trás das nuvens e vazio através dos livros. Sentiu uma vontade - que mais parecia um impulso - de sair de dentro do seu quarto; Por fim, saiu, e levou até a cozinha seus pensamentos sobre felicidade e morte, que tanto o afligiam. A água fervendo foi o primeiro passo, seguido de um pouco de açúcar e, claro, do pacotinho de chá. Ele gostava de camomila com um toque de limão; A água fez rapidamente seu serviço, e em menos de alguns minutos, já estava quente o suficiente.

A única luz que adentrava à cozinha vinha da janela, que também era uma porta. Claro, uma porta de vidro. Sentou-se na mesa pequena e fria pelo tempo quase chuvoso que viria. O silêncio era absoluto, poderoso como um suspiro de vida. Mas ao fundo, bem ao fundo, se ouvia um sussurro um tanto tímido, que era proferido pela sua avó. Não era nada diferente do que já acontecia em todos os outros dias, era apenas uma reza. Uma não, algumas...

A voz daquela senhora era tão baixa, que somente os santos mais atentos conseguiam escutar. Mas esse era o objetivo, uma forma de expressão pura e verdadeira que só chegasse aos ouvidos daqueles que quisessem ser tocados.

Seu toque tímido na xícara de chá era tão solitário como a reza de sua avó. Cada um encontrou a sua maneira de extravasar a solidão daquele momento sozinho, sem espírito. E depois de ver um exemplo de vida que tinha ido, exalou o silêncio de seu amplo sorriso, e o deixou dormir em seus braços de tantos resquícios.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Marco zero

O seu nome é esperança
Todos te conhecem pelo amor
Seja pela pátria ou pela alma
Sua convicção incendeia nossas armas
Nos dá coragem para amar a vida sem temer a morte

Sua voz não quer subir mais alto que as árvores
Ela se equipara à altura dos demais pássaros
Permite que a luz entre na tenda de todos os fracos
Sendo assim, luta pelo seu espaço
Suspira a mente de solidão e a faz um bravo

Sua vida não é como a de todos os outros
É cercada de mistérios
Não existe rosto ou identidade
Suas crenças vêm da terra
Atravessam rios e montanhas
Disparam contra todos os puritanos
Sim, aqueles mesmos
Todos aqueles que fantasiam sonhos
Que esmagam nossas ilusões pouco a pouco

Mas há uma razão por trás do canto
Sempre há...

A vitalidade dos raios estourando seu peito
Grita ensandecida por uma nova lua dormindo sob o rio
O reflexo da vida vivendo a vida
Faz despertar aquela chama esquecida
Mas que nunca deixou de estar aquecida

Raios de sol ao leste
Sonhos guardados em nuvens ao oeste
O amor por uma profissão esquecida
Mesmo que para muitos não faça sentido
Estaremos sempre aqui, Marcos
Para que muitos como você, Miguel
Continuem sendo crianças em busca de paz

Abaixo do coração e à esquerda!

domingo, 4 de julho de 2010

Balinhas coloridas

Me lembro como se fora ontem. Nós fomos ao mercado e compramos aquelas balinhas coloridas. Eu nunca tinha provado, mas você me disse que elas eram cheirosas. Levavam uma letra marcada, assim como aquelas de chocolate. Entramos na fila, pagamos e andamos. Minutos depois chegamos em casa ofegantes. Aquela subida não era tão fácil de se subir como as retas. Comemos uma comida fresca e quentinha, até sentimos aquela sensação de alívio, sabe? Aposto que você ainda se lembra...

Assim que a lua tocou a janela da sala, que aliás, era fria e bem clarinha, ligamos a televisão e procuramos por um filme. Logo após a sintonia, abrimos aquele velho sofá-cama. Tudo pronto: filme, sofá e as balinhas coloridas. Me lembro como se fosse hoje, elas eram adocicadas e tinham gosto de frutas. Simbolizavam o doce sabor do nosso encontro. Mas a vida é engraçada, quando eu pegava as tais balinhas, algumas corriam pelos meus dedos e caiam nas frestas do sofá. Naquele momento eu já começava a perder os poucos abraços que me mantinham. Também me lembro como se tudo estivesse no lugar em que nunca esteve, como naquele dia em que fui até a sua casa. Sua mãe me tratou mal, como da última vez. Mas eu não me importava, também não me importava de viajar duas horas para te buscar. Nunca me importei com as dificuldades que enfrentei para chegar ao amor. Só que um pequeno detalhe mudou isso. Há seis anos, que mais parecem doze, você se viu em outra realidade. Se mudou para a terra dos sonhos e, sinceramente, espero que você os encontre.

Daqui, bem longe de ti, penso sempre nas suas cores, que são mais vivas do que aquelas balinhas. Difícil amar assim, mas tenho certeza que você se lembra desse dia, em que você me marcou mais do que aquelas letras em cima das balinhas coloridas. Aposto que você se lembra...

Passo tímido

Todos os dias reza o mesmo terço
Levanta os braços na altura do céu
Abaixa a cabeça mirando a vergonha
Revela um olhar já conhecido por todos

Se esconde atrás da profunda miragem
Suas orelhas pesam fartas de cansaço
Estão cansadas de tanta insegurança
Os mesmos todos que a fitam
Se acabam por consumi-la em patifaria

Mesmo depois de longos e tenebrosos sinos
Que badalam gritando feito um cigano
Se sente triste pela vida
Não admite o fato de ser um sorriso no meio de bochichos
Para ela, o sol não nasceu nas colinas
Ele apenas se furtou de proclamar a vida que ela queria

Como se não bastasse a chuva que perdura por tantos anos
Uma parte do seu sangue se mistura com a pele
Já não há diferença entre uma lágrima e um suspiro
A sua razão em buscar os sonhos mais lindos
Se dissolve lentamente ao pé do ouvido

terça-feira, 25 de maio de 2010

Muito mais do que alguns anos de solidão

No auge de toda sua clareza
Descendo em meio às nuvens da tormenta
Um pequeno rosto se alça na inocência
Nos faz esquecer dos medos gravados nas etiquetas

Com o poder da dúvida pairando em seu olhar
O certo se torna inescrupuloso, arde em fogo
E o que era errado se perde nos atalhos, abençoa o amor sistematizado

A cidade fecha os olhos e absorve
Fita o alto da colina
Não permite que sua memória seja esquecida

De arcos longos e calmos, se revela suave ao balançar
Reproduz aquele incômodo ruído
Instiga o vento a subir aflito

Sua expressão nos apresentava uma sensação
Viviamos numa espécie de tortura sem razão
Não aceitávamos viver em outro mundo
Um novo lugar em que não éramos amigos ou amores
Em que toda a noção do coração corria para o chão
Onde os valores estavam abaixo do perdão

Já agiamos sem a paixão
Nossas mãos fugiam sem percepção
A falta de consciência sufocava nossa voz
Os gritos, um dia ricos, hoje estavam sem brilho

Tudo isso começou sem haver um desapego
Nossos olhos arregalados, turbulentos
Não conseguiam se fechar com os desejos
Aquela angústia de chegar ao fim
Agora dava lugar àquela tortura sem fim

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O que é a felicidade? - Parte III: Igualdade

Dormia no colo do infinito
Suspirava feito um menino
Sorria mais que um passarinho
Descansava os olhos à beira do abismo

Quando acordou, sonhou
Assim que correu, gritou
Viajou...

Bonita esperança que o alcançava
Sem perceber, chorava
Lamentava pela sorte acabada
Se voltava para outra estrada

Logo que o amor surgiu, fugiu
Sem entender o que a vida lhe trazia, mentiu
Mas voando em notas musicais
Voltou atrás e amou

Daquele olhar em diante, se redimiu
Não buscou mais o que mentiu
Se tornou cada vez mais feliz

Sua vida estava igual
Não sei ao que, mas se mantinha diferente
As duas margens do rio se encontravam ao fim do dia
E como inocentes amantes, se escondiam
Não buscavam o explícito
Queriam ser corridos

E apesar de tantos anos em esconderijos
Você foi mais forte, mais decidido
Acordando nas manhãs frias e esquecidas
Lutou bravamente todos os dias
E como num par de rimas
Flutuou nos sonhos de sua menina